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20/07/2017

Uma janela de oportunidade para derrubar a taxa de juros

Nos dias 25 e 26 de julho acontece a 208° reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que definirá a nova taxa básica de juros, SELIC.

As reuniões ordinárias são realizadas em duas etapas, no primeiro dia reservada às apresentações técnicas de conjuntura, e no segundo dia, para decisão das diretrizes da política econômica.

Não resta dúvida que o aperto na política monetária, via aumento da taxa de juros, conseguiu derrubar a inflação que já mostrava sinais de descontrole quando a inflação ao final de 2015 alcançou mais de 10%.

Apesar disto, diversas razões apontam que a queda esperada pelo mercado de 0,75%, caindo de 10,25% para 9,5%, deveria ser mais ambiciosa.

Seriam três fortes razões para derrubar a taxa Selic na próxima reunião do Copom.

Taxa de Inflação

A meta de inflação para 2017 é de 4,5%, com intervalo de tolerância de menos um e meio ponto percentual e de mais um e meio ponto percentual.

Em junho de 2017, de forma inédita, a taxa está no limite mínimo do intervalo de tolerância de menos 1,5%, IPCA de 3%.

Nos próximos dois meses a inflação anual (IPCA) tende a cair abaixo dos 3%, pois já que os 0,52% de julho de 2016, e 0,44% de agosto de 2016, serão substituídos, provavelmente, por índices mais civilizados, puxando a inflação para baixo.

Nesta sexta a prévia do IPCA (IPCA-15) tem menor variação anual desde março de 1999.

Com este resultado, influenciado pela queda no preço dos alimentos, dos transportes e dos artigos de residência, o IPCA-15 acumula um aumento de apenas 1,44% em 2017. A taxa acumulada em 12 meses até julho foi de 2,78%. Este último resultado é a menor variação acumulada para o índice em um ano desde março de 1999 (2,64%), e já abaixo do limite inferior de 3% do intervalo de segurança da inflação de 2017.

Taxa real de Juros

O Brasil hoje seguramente prática a maior taxa real de juros do mundo, mais de 7,25% (jul/2017). Rússia (4,57%), Turquia 3,63%, Indonésia (3,36%), Colômbia (2,57%), México (1,96%), dados de mai/2017, estão bem abaixo do Brasil .

É sabido que este choque monetário teve como objetivo derrubar a inflação do período, resultado alcançado, é necessário adequarmos a taxa de juros real a nova realidade inflacionária.

Quadro abaixo mostra a subida dos juros reais desde janeiro de 2013 até hoje, quando alcançamos o estratosférico 7,25%.

 

Recessão e Desemprego

A recuperação da economia brasileira caminha a passos lentos, neste momento para o setor privado, a diminuição da taxa de juros indicara um ambiente mais favorável ao investimento privado.

Sabemos que criar este ambiente favorável ao investimento privado é o caminho mais rápido para contrapor a altíssima taxa de desemprego no país, principalmente no Brasil onde a política fiscal da União tem pouco espaço devido a seu déficit nominal elevado.

Entendemos que as finanças da união, estados e municípios necessitam do aumento saudável dos impostos mediante aumento da atividade econômica e não por aumentos de alíquotas e criação de novos impostos.

As empresas no Brasil hoje possuem uma capacidade ociosa grande, principalmente a indústria, que pode responder rapidamente a uma mudança favorável no ambiente econômico, principalmente a diminuição das taxas de juros.

Diminuição da Taxa de Juros

Portanto é imperiosa uma diminuição mais acentuada na taxa Selic na próxima reunião do Copom.

Diminuir apenas 0,75%, será jogar fora uma janela de oportunidade única, o Brasil merece e necessita desta sinalização.

 

Sergio Furquim

Vice-Presidente do Instituto dos Auditores Fiscais do Estado da Bahia

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