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30/11/2020

Entrevista – AF Rubem Ivo

A série de entrevistas com Auditores Fiscais aposentados segue a todo vapor. Desta vez o entrevistado do IAF é o poeta, escritor e auditor fiscal de trajetória exemplar, Rubem Ivo. Confiram:

PÓS APOSENTADORIA: “Aprendendo com as crescentes possibilidade oferecidas pela informática”

Acostumado a transformar emoções em textos, Rubem Ivo carrega muitas memórias afetivas da infância em Caculé, cidade do sertão baiano. Cresceu vendo passo a passo a evolução desde a água de cacimbas, da luz de fifós, das estradas carroçáveis, das bolas de maniçoba, dos brinquedos de sabugo, da gigantesca migração dos flagelados da seca para o Sul até os dias de hoje com imensos avanços tecnológicos e sociais. Lá ele fez a formação primária e, pela ausência de ginásio, à época, mudou para Salvador. 

Já na capital baiana, formou-se na última turma de engenheiros politécnicos da Escola de Politécnica da Universidade da Bahia atuando em diferentes áreas como: estradas, construção civil, projetos de cooperativas habitacional, pré-fabricados de concreto e em projetos de estrutura de concreto armado, além de tarefas de direção e gestão.

Aos 56 anos, através de concurso público, assumiu a função de Auditor Fiscal do Estado, tendo sido compulsoriamente aposentado em 2012. “Inicialmente, senti falta da rotina diária, do ambiente de trabalho e o convívio dos colegas, mas cultivei a esperança de usufruir uma vida mais tranquila”, conta. Entre as frustações, ele destaca a morosidade no cumprimento da lei que lhe assegura o direito de aos valores da aposentadoria, direito este ganho por unanimidade no Tribunal Estadual de Justiça e até agora não regularizado, o que lhe submete a um contínuo estado de inquietação.

Mas apesar das decepções, Rubem reuniu ao longo da vida profissional muitos orgulhos que ele destaca com brilho nos olhos. “O absoluto respeito e responsabilidade para com os companheiros de trabalho e com os clientes; a busca por eficiência, soluções e o permanente diálogo. Com certeza devo ter cometido erros. As análises unilaterais ou apressadas, ou algum afrouxamento na prática dos princípios citados, podem ter me conduzido a erros, mas jamais fui seduzido pela competição, inveja ou outras intenções de prejudicar outrem”, conta, ressaltando o que teria ajudando na construção de suas relações. “Vivi a infância num meio sem gritantes diferenças sociais, o que moldou a minha naturalidade no relacionamento com pessoas de diferentes origens sociais. Isto se consolidou mais tarde no convívio da militância política, pela vida simples com lideranças populares, clandestino, por curto período, na luta contra a ditadura. O meu ideário democrático, socialista baseou-se inicialmente, num humanismo cristão, e foi aprofundado por leituras marxistas, argamassado por evidências das agudas desigualdades e condições sociais, observadas e experimentadas. Por engajamentos variados, entre êxitos, riscos e medos, chances ou queixas, digo que vivi muito do que me foi possível viver, por bafejos da sorte e lampejos da felicidade”, explicou.

Após anos dedicados ao trabalho, Rubem ressalta o que gosta de fazer nas horas vagas. “Tenho dedicado mais tempo ao que sempre gostei de fazer: ler e escrever. Só esse ano, aproveitando o tempo imposto pelo isolamento, li: Amazona, de Sérgio Santana; Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves; Esconderijos do Tempo, de Mário Quintana; Maria Madalena de M. Haag; Os 25 poemas da triste alegria, de Carlos Drummond de Andrade; Escravidão, Volume I, de Laurentino Gomes; Poesia que Transforma, de Bráulio Bessa; Essa Gente, de Chico Buarque. E estou bem adiantado na escrita de um novo romance que pretendo lançar no ano que vem”, contou.

Respeitando as medidas de proteção adotadas após o novo coronavírus, atualmente Rubem Ivo segue desenvolvendo práticas de atualização mental e cuidados de saúde alimentar. “Sigo os protocolos de precaução contra o coronavirus, fugindo dos riscos de contaminação e ainda me adequando ao enclausuramento domiciliar. Tenho sentido a ausência do convívio com pessoas, com gente, de trocar ideias descontraídas, descomprometidas, mas sigo cultivando o exercício cuidadoso no intenso convívio familiar, preservando o respeito às individualidades, exercitando a capacidade de autocrítica e repartindo as tarefas de casa. O importante é viver e viver da melhor maneira possível, finalizou.

IAF – Trabalho e Transparência!

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